Memórias Póstumas de Brás Cubas: A Vida Vista do Sepulcro
Um defunto que resolve contar a própria vida. Brás Cubas narra do túmulo, com ironia e sem pudor, os amores, as ambições e os fracassos de um homem rico do século XIX. O livro de Machado de Assis que abriu o Realismo no Brasil, explicado para o ENEM e o vestibular.
Transcrição do episódio
Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, romance de Machado de Assis, a leitura se abre com uma dedicatória insólita: ao verme que primeiro roeu as frias carnes do cadáver do narrador.
Dedicar uma autobiografia ao verme da sepultura é uma escolha bastante mórbida, não é?
É uma declaração de intenções. Ele esclarece logo no prólogo que não é propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço.
Entendi. Ele escreve depois de morto, livre das convenções dos vivos.
Exatamente. E por isso começa pelo fim, relatando o próprio falecimento, ocorrido às duas horas da tarde de uma sexta-feira de agosto de mil oitocentos e sessenta e nove, em sua chácara no Catumbi.
E como ele se encontrava naquele momento derradeiro?
Tinha cerca de sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía trezentos contos de réis e foi acompanhado ao cemitério por apenas onze amigos, sob uma chuvinha miúda e triste.
Apenas onze pessoas para quem tinha tanta riqueza acumulada.
Pois é. A causa imediata foi uma pneumonia, mas Brás garante que morreu por causa de uma ideia fixa: a invenção de um medicamento que chamou de Emplasto Brás Cubas.
Um remédio criado por ele mesmo? Para que serviria?
Era um produto anti-hipocondríaco, destinado a aliviar a melancolia da humanidade. Mas ele confessa que o verdadeiro motivo não era curar ninguém, e sim ver o próprio nome impresso nos jornais, vitrines e caixinhas.
Era a sede de glória falando mais alto que a medicina.
Sem dúvida. Ele apanhou uma corrente de ar enquanto preparava a fórmula, negligenciou o tratamento e a doença o levou.
E é nesse momento de agonia que ele relata o famoso delírio, certo?
Isso. Nos vinte a trinta minutos que antecedem a morte, ele vive uma alucinação em que é cavalgado por um hipopótamo voador que fala e o conduz até a origem dos séculos.
Uma viagem fantástica para trás no tempo.
Eles cruzam o Éden e chegam a uma região de gelos eternos, onde Brás Cubas encontra uma figura colossal de mulher chamada Natureza ou Pandora.
E o que essa figura representa no delírio dele?
Ela se apresenta como mãe e ao mesmo tempo inimiga do homem. Ela ergue Brás ao cume de uma montanha e lhe mostra o desfile acelerado de toda a história humana.
E o que ele consegue enxergar desse desfile?
Um turbilhão contínuo de guerras, cobiças, impérios e dores, onde as gerações correm incessantemente atrás de uma quimera da felicidade que se desfaz no ar.
Uma visão sombria da existência, onde o sofrimento parece inevitável.
Totalmente. O delírio termina quando o hipopótamo vai encolhendo até se transformar em seu gato Sultão, que brincava com uma bola de papel ao lado do leito.
A realidade imediata quebrando a grandiosidade da fantasia.
A partir daí, ele decide recuar no tempo e narrar a sua vida desde a infância, nascido a vinte de outubro de mil oitocentos e cinco.
E quem eram os antepassados que formaram a família Cubas?
O fundador foi Damião Cubas, um tanoeiro do século dezoito que enriqueceu como lavrador. Mas o pai de Brás tinha vergonha dessa origem manual e inventou que o sobrenome vinha de um cavaleiro que arrebatou trezentas cubas aos mouros em combates na África.
Uma fábula nobre inventada para apagar o trabalho humilde da memória familiar.
Exatamente. E foi nesse ambiente de aparências que Brás cresceu, ganhando aos cinco anos a alcunha de menino diabo.
Por que ele recebeu esse apelido tão pesado tão cedo?
Ele mesmo lista as suas maldades infantis. Aos seis anos, quebrou a cabeça de uma escrava com um prato porque ela lhe negou doce de coco, jogou cinzas no tacho e ainda a culpou diante da mãe.
E havia outros escravizados que sofriam com esses caprichos?
O moleque Prudêncio era o seu cavalo de todos os dias. Brás colocava um cordel na boca do menino como freio, montava no dorso dele e fustigava com uma varinha, mandando calar a boca quando ele gemia.
E como os pais reagiam a essa conduta violenta?
A mãe era submissa e crédula. O pai repreendia por mera formalidade em frente às visitas, mas depois o beijava às escondidas, achando aquelas crueldades uma demonstração de espírito forte.
E depois desse período escolar, como ele entra na juventude?
Aos dezessete anos, Brás se apaixona por Marcela, uma cortesã espanhola luxuosa do Rio de Janeiro, mantida por outros rapazes abastados.
E como se deu essa relação dos dois?
O próprio Brás sintetiza o romance em uma frase famosa: Marcela o amou durante quinze meses e onze contos de réis.
Onze contos de réis era uma fortuna imensa para a época.
Ele comprava joias caras, sedas e até assinou títulos de dívida contra a herança do pai para atender aos luxos dela. Quando o pai descobriu os gastos, ficou furioso e decidiu enviá-lo à força para estudar na Universidade de Coimbra.
E Brás simplesmente aceitou a ordem de partir para a Europa?
Ele tentou convencer Marcela a fugir com ele, comprando até um pente de marfim com brilhantes para deslumbrá-la. Ela prometeu que iria, mas no corredor da casa o pai e o tio cônego o interceptaram e o embarcaram numa galera sob escolta policial.
E a vida universitária em Coimbra, como foi para Brás Cubas?
Ele admite que estudou mediocremente. Tornou-se um acadêmico folião e estroina, colhendo apenas a fraseologia, a casca das leis e algumas citações em latim para parecer erudito nas rodas sociais.
Apenas um diploma para ostentar prestígio sem esforço real.
Exatamente. Logo após se formar, ao descer de mula por Portugal, o animal empacou e Brás foi sacudido com o pé preso no estribo, quase morrendo esmagado.
E como ele conseguiu escapar desse acidente?
Um almocreve, condutor de bestas, correu e segurou as rédeas a tempo de salvá-lo. De início, Brás pensou em recompensá-lo com três moedas de ouro das cinco que levava. Depois achou muito e pensou em dar uma.
E no fim quanto ele entregou ao homem que salvou a sua vida?
Entregou apenas um cruzado de prata. E ainda relata que, metros adiante, sentiu nos bolsos uns vinténs de cobre e teve remorso de não ter dado os vinténs, achando que o almocreve agira apenas por mero impulso da profissão.
Que mesquinharia espantosa com quem acabou de impedir a morte dele.
Essa cena revela bem a índole dele. Anos mais tarde, viajando pela Europa, Brás é chamado às pressas de volta ao Brasil porque sua mãe estava moribunda.
E ele consegue chegar a tempo de vê-la com vida?
Chega, mas testemunha uma agonia longa provocada por um câncer no estômago. Foi a primeira vez que Brás encarou a morte de perto, e aquele sofrimento o deixou arrasado.
Como ele lidou com esse abalo emocional?
Ele se refugiou em uma casa da família na Tijuca, isolado com o escravo Prudêncio, lendo e cultivando o que chamou de volúpia do aborrecimento.
E ele permaneceu muito tempo nesse isolamento campestre?
Durou poucos dias. Logo descobriu que Dona Eusébia, antiga conhecida da família, havia se mudado para o sítio vizinho com a filha, Eugênia.
Quem era essa Eugênia?
Era a chamada flor da moita, filha ilegítima de Dona Eusébia com o Doutor Vilaça. Brás se sentiu atraído pela moça, mas logo percebeu que ela coxeava ligeiramente.
Ela tinha um problema físico de nascença.
Sim, coxa de nascença. Ele a beijou e gostava da companhia dela, chamando-a intimamente de Vênus Manca. Mas ficou perturbado pelo contraste: por que bonita, se coxa? Por que coxa, se bonita?
Ele não conseguia aceitar o defeito físico da jovem.
Não aceitava. E quando decidiu descer da Tijuca para a cidade, Eugênia percebeu tudo e lhe disse que ele fazia bem em fugir ao ridículo de casar com uma mulher coxa.
Ela percebeu a vaidade e o preconceito dele com total clareza.
Com total lucidez. Brás voltou aliviado para a cidade e comparou a dor de deixá-la ao alívio de descalçar um par de botas apertadas: uma sabedoria barata que transforma o fim de um incômodo em prazer.
E na corte, que planos o pai dele tinha reservado?
O pai trazia dois projetos interligados: uma cadeira de deputado no Parlamento e o casamento com Virgília, filha do influente Conselheiro Dutra.
Um arranjo sob medida para garantir poder político e prestígio social.
Exatamente. Brás foi apresentado à moça e concordou com o plano. Mas nesse intervalo apareceu Lobo Neves, um concorrente mais audacioso.
E o que Lobo Neves ofereceu para superar Brás Cubas?
Quando Virgília perguntou se ele a faria baronesa, Lobo Neves respondeu que a faria marquesa, porque ele mesmo seria marquês. Com apoios políticos mais sólidos, ele levou a candidatura e a noiva.
Brás perdeu tanto a cadeira parlamentar quanto a futura esposa de uma vez só.
Perdeu as duas. E o velho pai de Brás ficou tão desconsolado com a ruína de suas ambições que adoeceu e faleceu meses depois, repetindo incrédulo a frase: Um Cubas!
A frustração do nome da família apressando o fim do pai.
Logo após o enterro, começou a disputa pela herança entre Brás, sua irmã Sabina e o cunhado Cotrim. Eles brigaram por causa da velha prataria herdada e até sobre a divisão dos escravizados, rompendo relações por anos.
O dinheiro dividindo a família logo após o luto.
Brás passou a viver meio recluso, escrevendo artigos esparsos. Foi nessa fase que elaborou a teoria da ponta do nariz.
Teoria da ponta do nariz? Em que consistia isso?
Ele afirmava que cada homem precisa contemplar o próprio nariz para enxergar a luz celeste, subordinando o universo a si mesmo, o que manteria o equilíbrio e a conservação das sociedades.
Uma formulação engenhosa para justificar o puro egocentrismo humano.
Sem dúvida. Mas anos depois, em bailes da corte, Brás reencontra Virgília, agora casada com Lobo Neves, madura e deslumbrante.
E como os dois reataram o contato depois daquele noivado desfeito?
Dançaram uma valsa. Brás relata que a valsa foi a perdição deles, despertando uma paixão súbita e arrebatadora que não existira durante o noivado formal.
Eles deram início a um caso amoroso secreto em plena sociedade carioca.
Sim. Mas como a corte era cheia de olhares vigilantes, Brás alugou uma casinha discreta na Gamboa para servir de ponto de encontro para os amantes.
E quem cuidava desse ninho clandestino para que ninguém desconfiasse?
Instalaram lá Dona Plácida, antiga costureira e agregada da família de Virgília, para figurar como a moradora da residência.
Ela aceitou com facilidade o papel de acobertar um adultério?
No começo, chorou e teve nojo de si mesma. Mas Brás a conquistou com gentilezas e garantiu a sua subsistência com cinco contos de réis que havia achado na praia de Botafogo.
A velha agregada acabou cedendo pela necessidade de sobreviver na velhice.
Isso mesmo. Brás reflete com frieza que a vida de Dona Plácida, filha natural de um sacristão com uma doceira, que passou a vida trabalhando e sofrendo, só teve uma utilidade no mundo: permitir o romance dele com Virgília.
Que cálculo cruel sobre a existência de outra pessoa.
E foi logo após ajustar essa casa na Gamboa que Brás presenciou uma cena marcante no largo do Valongo: viu um homem negro espancando outro com um vergalho em praça pública.
E quem eram os envolvidos nessa agressão?
O agressor era Prudêncio, o moleque que o pai de Brás havia alforriado anos antes. Ele havia comprado o próprio escravo e o castigava na rua, dizendo: Toma, diabo, cala a boca, besta!
As mesmíssimas palavras que Brás usava contra ele na infância.
Exatamente. Brás notou que Prudêncio estava repassando com juros as pancadas que havia sofrido quando era escravizado.
A violência do sistema colonial se perpetuando de forma brutal através do próprio oprimido.
Perfeito. Enquanto isso, o romance na Gamboa avançava. Virgília chegou a engravidar de Brás Cubas, o que despertou nele uma vaidade enorme com a ideia de ser pai.
Ele imaginava esse filho como a consagração do seu nome.
Ele travava colóquios imaginários com o embrião, vendo-o como futuro bacharel e orador parlamentar. Mas Virgília tinha pavor do parto e vexame da gravidez, e a gestação terminou em aborto involuntário.
Mais uma aspiração que se desfez antes de se concretizar.
E a situação começou a ficar perigosa. Uma carta anônima denunciou a traição a Lobo Neves. O marido começou a vigiar os passos da esposa.
E ele chegou a flagrar os dois amantes em algum momento?
Quase. Certo dia, Lobo Neves bateu inesperadamente à porta da casinha da Gamboa. Virgília conseguiu empurrar Brás para dentro da alcova a tempo e se fingiu de visita inocente à Dona Plácida.
E Lobo Neves não percebeu nada dentro daquela sala?
Ele estava pálido e frio, mas não invadiu a alcova. Levou a mulher embora sem escândalo. Brás concluiu que o marido preferiu calar para não se expor à opinião pública, pois a desonra divulgada seria pior do que a dúvida.
A preocupação com o julgamento social funcionando como um freio para evitar a tragédia sangrenta.
A opinião como uma solda das conveniências. Logo depois, Lobo Neves foi nomeado presidente de uma província pelo decreto datado de trinta e um, e partiu com Virgília, encerrando as visitas à Gamboa.
E foi nessa época que o antigo colega de infância, Quincas Borba, reapareceu na vida dele?
Sim. Antes ele havia surgido no Passeio Público como um mendigo esfarrapado que dormia nos degraus de uma igreja e chegou a furtar o relógio de Brás em um abraço.
Aquele garoto inventivo da escola reduzido à miséria absoluta.
Mas depois reapareceu rico, de sobrecasaca e botas de verniz, tendo herdado bens de um tio em Barbacena. Devolveu outro relógio de ouro a Brás e se apresentou como filósofo.
E qual era a doutrina que ele dizia ter criado?
O Humanitismo. Segundo ele, Humanitas é o princípio e a substância única de todas as coisas, presente em cada indivíduo.
E como essa filosofia explicava os conflitos e a dor no mundo?
Para Quincas Borba, a dor é pura ilusão dos sentidos. A luta é a grande condição de sobrevivência e aperfeiçoamento. Em um passeio, ao verem dois cães brigando furiosamente por um osso sem carne, o filósofo se delicia com o espetáculo da disputa.
Ele enxergava beleza na pura violência entre os seres vivos.
Exato. Ele dizia que o homem que disputa o osso com o cão é ainda mais grandioso porque tem a consciência de que tem fome. Dizia também que sentimentos como a inveja e a beligerância são virtudes porque estimulam o combate.
Uma justificativa teórica para o egoísmo e para a lei do mais forte.
Totalmente. Nesse ínterim, a irmã Sabina tentou casar Brás com Nhã-loló, uma moça de dezenove anos, filha de Damasceno. Brás quase aceitou o noivado, animado pelo desejo de ter herdeiros.
E esse casamento chegou a acontecer?
Não. Uma epidemia de febre amarela atingiu a cidade e Nhã-loló faleceu repentinamente, deixando a família desolada e Brás mais uma vez sem noiva.
A doença interrompendo brutalmente outro projeto de vida.
Mesmo assim, Brás conseguiu finalmente ser eleito deputado pela corte. Mas a sua grande ambição era se tornar ministro de Estado.
E ele conseguiu se destacar na tribuna para alcançar esse cargo executivo?
Seu único discurso marcante foi propor a redução no tamanho da barretina dos soldados da Guarda Nacional, alegando que o chapéu pesado esquentava demais a cabeça e prejudicava o pensamento livre.
Um discurso fútil sobre o uniforme militar enquanto almejava a pasta ministerial.
Foi um fracasso. Ele perdeu a cadeira de deputado na eleição seguinte. Tentou fundar um jornal de oposição embasado nos princípios do Humanitismo, mas a folha fechou as portas em apenas seis meses.
Mais um empreendimento pomposo que não durou nada.
E as pessoas ao redor dele também foram se desfazendo. O próprio Quincas Borba perdeu o juízo, queimou os manuscritos de sua filosofia e morreu na casa de Brás, delirando e repetindo que a dor era uma ilusão.
O mestre da filosofia do triunfo derrotado pela loucura.
E nas andanças de caridade pela Ordem Terceira, Brás encontrou Marcela morrendo feia e pobre em um hospital de caridade, e Eugênia, a flor da moita, vivendo na miséria de um cortiço, ainda coxa e triste.
Todas as figuras do passado marcadas pela decadência e pelo abandono.
Diante de tantas perdas, ele chega ao capítulo final, intitulado Das Negativas, para fazer o balanço de toda a sua trajetória.
E que saldo ele encontra quando olha para trás a partir da sepultura?
Ele contabiliza as faltas: não alcançou a celebridade com o emplasto, não foi ministro, não foi califa do Humanitismo, não conheceu o casamento.
Nenhum dos grandes triunfos sociais foi atingido.
Mas ele ressalva que não precisou trabalhar para comer, não sofreu a miséria de Dona Plácida nem a demência de Quincas Borba. E encontra um saldo positivo na última negativa.
Qual é essa derradeira negativa que dá saldo à vida dele?
Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.
Uma conclusão desoladora: a única vitória possível foi interromper a sucessão do sofrimento humano.
Passando a limpo os eixos centrais que estruturam as memórias, tudo parte da perspectiva do defunto autor, que escreve da cova com a pena da galhofa e a tinta da melancolia.
A liberdade absoluta da morte para confessar fraquezas sem temer a censura alheia. E sobre a formação moral dele?
A infância patriarcal marcada pela tirania sobre os escravizados e pela leniência dos pais, que justificava a crueldade como esperteza.
Um retrato direto das bases familiares daquela elite. E no que diz respeito aos relacionamentos amorosos?
A futilidade das ligações com Marcela, a rejeição preconceituosa de Eugênia por sua deficiência física e o adultério com Virgília, mantido e depois desfeito sob o jugo das aparências sociais.
E por fim, as ambições públicas e filosóficas que atravessaram a vida madura?
A busca vazia por glória no Parlamento e no jornalismo, o fascínio pela teoria de Quincas Borba e o encerramento lúcido no capítulo das negativas, sem deixar descendência.
Uma vida que se encerra sem frutos, com a recusa deliberada de perpetuar a dor do mundo.